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Original Guetto, rap com atitude e a discriminação do próprio meio

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Juntando tudo eu acho que dá uns 15 anos de correria. Eu já era do meio né. Eu dançava break, dancei funk, e comecei a cantar rap também. Eu achava legal algumas coisas que os americanos falavam de mudar as coisas através da música, de ideias. E hoje nós temos o rap como protesto, como forma de reivindicar o que a gente quer.

No caso de nós, do Original Guetto, a gente quis fazer o nosso rap, o nosso som, a nossa onda. E a gente queria trabalhar de uma forma consciente. Para ser consciente, teríamos que buscar outras raízes de influência. Tem que ler, ler bastante. O cara que quer fazer rap tem que ler bastante, tem que sacar de tudo, tem que saber do que ele está falando.

Começa daí. Vamos fazer o seguinte, vamos juntar tudo. Eu escuto muita coisa. A gente samplea desde Lenny Kravitz a Pato Fu, a Tribalistas, a gente samplea tudo. E as letras tem que condizer com esse tipo de influência. Então é música consciente.

Rap, rapaziada, vamos prestar atenção porque rap é vida. Você tem que fazer o ritmo e a poesia.

O rap tem esse poder de articulação que você pode tanto falar de fatos tristes como alegres e se sair sempre muito bem.

O que a gente vive, o que eu vivo. O cara é garçom, ele vive a onda dele, é um cara que trabalha, eu trabalho com TV, a Paula estuda e o Chocolate é DJ. Nós temos um cotidiano que foge da violência. Lógico que a gente retrata algumas coisas, como Garoto Suburbano.

A gente retrata algumas coisas ruins que acontecem na periferia. A gente encontra bastante resistência por parte do próprio movimento. As pessoas, na hora de comprar o seu disco, eles veem como uma coisa muito suave, muito alegre, muito “lalala”. A gente sofre discriminação, sim, dentro do próprio movimento do hip hop, das pessoas que ouvem rap, que gostam do trabalho.

A sua mente não pode ser assim não. A discriminação gera discriminação. E é isso que o rap não propõe. Então, se o cara quer fazer o som dele, seja ele de onde for, se ele tem [dinheiro] ou não, isso não interfere em nada. O que vale é a atitude.”

Agosto de 2005