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Os Paralamas do Sucesso, a história da banda e de Brasília dos anos 80

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Memórias do Brasil

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Eduardo Chauvet: “Os Paralamas do Sucesso vieram a Brasília fazer 3 shows. Saíram daqui com 4 apresentações. Na sexta-feira, hoje às 4 da tarde decidiram vir com uma sessão extra. Lotar uma casa de espetáculo é sempre muito interessante. Agora, dose dupla, na sala Villa Lobos, Teatro Nacional, deve ser melhor ainda, né?

Hervert Viana: É muito especial. A verdade é que, em geral, as bandas brasileiras tocam em ginásios para uma quantidade muito grande de pessoas, mas eu acho maravilhoso esse projeto no qual artistas saídos de Brasília estão voltando a cidade para se apresentar. E a gente se sentiu muito privilegiado de ser convidado, a gente tem muito orgulho de ser uma banda de Brasília. Foi uma surpresa porque esse é um show relativamente novo, não tem um perfil tão popular e você vê o que aconteceu. A gente está muito feliz mesmo.

Vocês se conheceram em Brasília, mas passaram a tocar juntos somente no Rio de Janeiro?

A gente conheceu o João no Rio, mas eu e Bi nos conhecemos aqui quando tínhamos 11 anos de idade. A primeira vez que eu encontrei ele foi na ladeira do clube da Base Aérea lá do outro lado do aeroporto. A gente estava andando de skate. A gente começou a tocar, a falar sobre música porque na superquadra que a gente morava, que era a 104, tinha muita gente que tocava, tinha o melhor guitarrista que eu já vi tocar no Brasil, o Eduardo Watson, que ainda mora aqui. Aquilo tudo incentivava muito a gente. A gente era molequinho, ficava ouvindo os caras tocando e aí a gente começou a tocar também.

Onde vocês iam e o que vocês costumavam fazer na época que vocês moravam em Brasília?

Brasília tem sempre aquela coisa das festas né. Alguém falava “tem uma festa não sei aonde”. A gente ia lá tentar penetrar. Andava muito de skate, assistia os shows, às vezes tinha show lá na 715. Brasília tem essa coisa. É uma cidade que parece meio ociosa mas tem lugar para você fazer o que você quiser. Então a gente fazia muito isso, rodava por aí, andava de bicicleta.

E hoje, quando vocês estão na cidade, onde vocês costumam ir, lugares antigos como o Food’s por exemplo?

Eu sou do tempo do Chaplin ainda no Karin. Eu e Bi a gente fala até hoje tanto de Brasília que o João e os outros caras da banda não viveram essa coisa né. Então às vezes de madrugada, a gente pega o carro e dá uma rodada pela cidade. A gente para, começa a chorar. E tem tanto amigo da época que é gente que saiu de Brasília e voltou. É muito bacana rever.

Eu tive uma infância maravilhosa. É difícil imaginar uma cidade melhor para a criançada crescer. Agora o apelo que eu faço é porque Brasília tem essa coisa de uma sensação de impunidade pela maioria das pessoas que moram no Plano Piloto de alguma maneira relacionada com o poder. Desde a nossa época a molecada abusava, aqueles pegas no Caseb, nego roubava carro da polícia, tacava fogo, era impressionante. E ainda tem isso, a coisa do índio. Então eu acho que tem uma molecada pit boy meio abusada aqui que tem essa coisa da impunidade, da falta do que fazer, então isso me assusta um pouco. Violência gratuita de classe média é insuportável. Eu acho que isso é absolutamente incompreensível.

João Barone: Acho que a gente fala de um leque de coisas muito distintas e diversificadas e ao mesmo tempo aquele carimbo, aquele DNA dos Paralamas nessa história, porque a gente aproveita o lance dessa sonoridade do acústico para retratar, revisitar algumas músicas do nosso repertório, tocar músicas de outras pessoas com essa atmosfera do acústico.

Vocês completam 20 anos, o que é muito difícil, muitas bandas não conseguiram ficar tanto tempo juntas. Além do profissionalismo, é claro, vocês têm que ser muito amigos, né?

É, eu acho que se existe alguma regra para a gente estar juntos esse tempo todo só pode ser a amizade que a gente foi construindo ao longo do tempo. É claro que não é uma reunião de escoteiros. Não é tudo muito harmônico. Tem horas que a gente tem umas discrepâncias e opiniões diferentes. Eu acho que com o tempo a gente foi aprendendo a respeitar isso no núcleo da banda. Na verdade, em vez de substituir integrantes a gente aumentou a banda né. Aos poucos a gente foi juntando uma galera que virou um time de rua mesmo.”

Março de 2000