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Oscar Wilde em curta biografia por Elias Andreato

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Quando eu pensei no Oscar Wilde eu pensei neste grande artista que ele foi. Um homem que sofreu censura, que sofreu perseguição por uma opção sexual e pensou a arte no seu tempo de uma forma brilhante. Isso foi o que mais me chamou a atenção no Oscar Wilde. A dignidade dele como artista, o questionamento que ele tinha em relação a sociedade, a família, a religião, principalmente ao público, onde ele dizia que a arte nunca deveria aspirar a popularidade mas o público deve se tornar artístico. Então ele sempre acreditou que a cultura é essencial para a transformação do homem.

Eu peguei a obra do Oscar Wilde, li as peças dele, li os romances, os contos infantis, a grande carta de amor que ele escreveu, e também peguei fragmentos da biografia e do julgamento dele. E tentei fazer um roteiro onde o espectador pudesse ter uma pequena noção do que este homem representou para a sociedade dele e o que ele significa até hoje para nós.

Então a partir disso eu criei um espetáculo tentando passar, não a caricatura do Oscar Wilde, porque ele é considerado um símbolo gay universal, mas a essência desse homem. A poesia, a delicadeza, a inteligência, o brilhantismo que esse homem teve. Então a preocupação maior era exatamente essa. De tentar fazer que o espectador saísse do teatro pensando “que pessoa interessante”.

Eu faço o espetáculo desde 97. Eu fiz esse espetáculo em vários lugares, fora do país, fiz em favela, fiz em teatros maravilhosos, em teatros pequenos. E a reação do público sempre é muito legal porque o texto do Oscar Wilde é maravilhoso. Um homem que diz “a fome, e não o pecado, é o autor do crime na sociedade moderna”, isso tem um significado para quem diz.

Eu sinto um orgulho de ser artista, um orgulho de fazer o que eu faço. Não importa se tem 1200 pessoas, se tem 2 pessoas na plateia. Eu acho que ele consegue resgatar, pelo menos para mim, essa dignidade, esse “eu escolhi uma coisa para fazer na vida que eu sou completamente apaixonado por ela. Me sinto orgulhoso disso e me sinto digno dessa profissão.”

Março de 2000