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Percussão com garrafas PET com educação musical e ambiental

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Memórias do Brasil

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Eduardo Chauvet: Marcelo Capucci é professor da rede pública de ensino do Distrito Federal há quatro anos e desde o início ele leva educação ambiental com noções de cidadania através do projeto ‘Percussucata’. Os seus alunos aprendem a utilizar e reutilizar, a reciclar garrafas PET, que é praticamente um dos piores inimigos da natureza, do meio ambiente. Esse projeto surgiu com 34 alunos e hoje já está aí pra mais de 30 mil.

Marcelo Capucci: Bom, eu toco bateria há vinte anos e o meu sonho era levar o instrumento pra sala de aula, até quando eu percebi o poder sonoro das garrafas PET. Comecei a pedir pras crianças trazerem garrafas e produzi umas baquetas improvisadas com cabo de vassoura serrado, e aí eu fui convidado a partir para o pátio da escola e percebi o caráter itinerante do projeto. A gente está a cada dia numa escola diferente levando esses conceitos de educação ambiental, cidadania, participação, reciclagem e reaproveitamento, tudo em defesa do meio ambiente. E aí de lá, a gente já chegou em mais de 30 mil alunos distribuídos pelo Distrito Federal.

Eduardo Chauvet: Além da música, óbvio, consciência ambiental. Hoje eles sabem que, ao jogar uma garrafa PET na rua, o mal que eles estão fazendo, é isso?

Marcelo Capucci: Exatamente. Na verdade, a questão da música é como se ela fosse a cereja em cima de um grande bolo ambiental que a gente monta pra poder fomentar esses conceitos na cabeça dessa criançada e fazer com que eles se transformem em multiplicadores e interlocutores do projeto e da escola nas suas casas e nas suas comunidades. A ideia é mostrar pra criançada que dá pra fazer música com esse objeto. O mesmo poder poluidor que ela tem se reflete no poder sonoro que ela tem.

O grande conceito é tentar estabelecer uma coleta seletiva residencial porque nós, enquanto adultos, Eduardo, não fomos educados pra lidar com o lixo que a gente gera todo o dia. A gente sempre misturou tudo, aquela quantidade de lixo joga-se fora e as pessoas tem uma falsa impressão de que quando o caminhão de lixo o leva, o problema tá resolvido. Na verdade não tá, é aí que o problema tá começando a ganhar corpo. Então a ideia é tentar convencer essas crianças de que, se a gente separar pelo menos o lixo seco do lixo orgânico, a gente já traz grandes benefícios não só para o meio ambiente, mas para as pessoas que trabalham como catadores, as pessoas que trabalham nos lixões, que trabalham nas cooperativas, porque são seres humanos e a gente precisa pensar nessa questão humana dos trabalhadores também.

Eduardo Chauvet: Qual que é o pior mal que ela pode causar ao meio ambiente?

Marcelo Capucci: Olha só, a garrafa PET participa do desperdício de matéria-prima, que é petróleo, aumenta o volume do lixo e esse volume se reflete lá no lixão e, além disso, o plástico impermeabiliza os materiais orgânicos que estão no lixão, atrapalhando a decomposição desses materiais. E aí vai tendo problema com o chorume, essa coisa toda. Além disso, quando ela é jogada no meio ambiente, nos rios e nos lagos, ela leva mais de 400 anos para desaparecer, então tem muitos animais por exemplo que confundem a tampa da garrafa PET com alimento e acabam morrendo por essa falta de respeito que a gente tá tendo com o meio ambiente, com o próximo, com todos os meios de produção, inclusive. E a gente começou a produzir uma gincana nas escolas por onde a gente passa. As crianças que mais levam garrafas PET ganham aparelhos mp4, os professores envolvidos também são premiados, tem bonés, tem baquetas, uma série de prêmios assim pra gente movimentar essa gincana.

A gente tem conseguido cinco mil unidades nas escolas por onde a gente tem passado em média, no semestre passado a gente conseguiu quase uma tonelada e no final de 2010 mais uma tonelada com esse movimento que parte do estudante de escola pública. Conseguimos mandar os números para a ABIPET (Associação Brasileira da Indústria do PET) e, entre mais de cem propostas do Brasil inteiro, consegui chegar à final lá no auditório da FIESP em São Paulo no dia 1 de dezembro e, graças a Deus, a gente conseguiu o primeiro prêmio a nível nacional de educação ambiental. Isso nos enche de orgulho.

Eduardo Chauvet: Fica aqui mais um exemplo de pauta positiva da nossa educação que a gente leva pras crianças enquanto Distrito Federal, e agora a nível nacional. Fica aqui um recado, uma mensagem, pra quem sabe a gente possa fazer com que dois ou três que estejam em casa possam refletir um pouquinho.

Março de 2011