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Permacultura e o que há de mais simples no dia-a-dia para preservar o meio ambiente

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Memórias do Brasil

Descrição:

Permacultura na chácara Asa Branca.

Primeira coisa: despertar essa consciência já é um grande passo. Pra gente enxergar as soluções, a gente busca o óbvio. Nós temos sistema de captação e aproveitamento de água de chuva. Toda água que a gente utiliza na chácara é proveniente de água da chuva. E a gente usa essa água para beber, para cozinhar, para irrigar, para tudo. A água da chuva. Eu não preciso de abastecimento da rede e não preciso de um poço artesiano. São técnicas extremamente simples e muito fáceis de serem replicadas. Isso é uma das coisas mais fantásticas da permacultura.

A questão do lixo, por exemplo. Um país como o nosso que tem tanto espaço deveria reciclar o seu lixo orgânico e transformar em adubo. Adubo é uma coisa que custa caro. E no entanto a gente joga fora o nosso adubo. Seja aquele adubo do resto de comida, seja o adubo das podas que a gente faz de rastelar as folhas nas cidades. A gente vê sempre aqueles canteiros de grama bem limpinhos, quanto mais limpo, mais bonito. Isso é tanto no campo quanto na cidade. Na verdade quando a gente faz uma pilha de folhas secas e toca fogo, a gente está queimando dinheiro. É literalmente coisa de maluco o que a nossa sociedade está fazendo.

Então a gente precisa de uma mudança de paradigma, de mentalidade, para transformar isso. E outras coisas mais fáceis. Hoje existem pequenos kits, tem o pessoal de Brasília que desenvolveu o minhocasa que é um kitzinho de meio metro quadrado, até menos, uma caixa de frutas. A gente separa o nosso lixo orgânico em um apartamento e produz humus ali mesmo. Uma coisa que ocupa um pedacinho da sua área de serviço. Em vez da gente jogar aquele lixo que vai ser amontoada em um lixão como o lixo de mais dois milhões de pessoas e gerar uma poluição tremenda, que contamina inclusive a nossa água, a gente transforma o nosso lixo em adubo em casa. “Ah, mas eu não tenho o que fazer com esse adubo”. Dá para o vizinho que tem uma jardineira na janela. Mas se você tiver o minhocasa em casa, provavelmente você vai ter a sua jardineira produzindo o seu tempero. Não sei se as pessoas sabem, mas dos produtos alimentícios mais envenenados que tem são os temperinhos. Salsa, cebolinha. Então por que a gente vai comprar uma salsinha com veneno se eu posso botar ela em um pedacinho da minha janela?

(…)

Uma pessoa que trabalha em uma repartição com muitas pessoas pode fazer uma campanha para separação de lixo, para diminuição. Por que a gente utiliza tanto copo plástico nas repartições públicas. É local de trabalho nosso. Eu vou pra lá todo dia. É muito difícil eu ter uma canequinha permanente lá? Um copo de vidro… ao invés de ficar usando… Eu vou pra lá todo dia, deixa o copinho lá… ocupa um pedacinho da gaveta. Mas não… a gente vai no Ministério do Meio Ambiente e tá lá um milhão de copos jogados no lixo. Copos plásticos derivados de petróleo que foram produzidos em uma refinaria que foi extraído a mil metros de profundidade. A gente vai lá, usa, dura três segundos o nosso uso e joga fora.

(…)

A gente precisa incorporar e entender que essa mudança ambiental necessária parte de uma escolha individual. O que eu vou fazer hoje? Como que eu vou transformar? E aí as pessoas que estão assistindo em casa estão pensando “ah, mas eu estou aqui no meu apartamento, não posso fazer nada”. Pode, pode fazer muito. Primeira coisa: despertar essa consciência já é um grande passo, porque a gente só muda alguma coisa quando a gente percebe que ela está equivocada. O entender e aceitar isso, introjetar isso, já é um grande passo.

Fevereiro de 2010