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Porão do Rock, a história de um dos maiores festivais do Brasil

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Quem conheceu o cenário musical de Brasília nos anos 80 lembra que o grande ponto de encontro das bandas de Brasília era no Edifício Rádio Center. A história mudou, as bandas mudaram. E hoje o grande local de encontro é aqui no subsolo de um prédio da 207 norte onde fica o Porão do Rock. Ulisses, explica para a gente como é essa história.

O Porão do Rock foi o encontro de várias bandas que resolveram ensaiar no mesmo lugar e, a partir daí, reestruturar, começar uma estruturação do mercado fonográfico local. Daí surgiu o Porão do Rock.

Como começou essa história? Qual foi o primeiro estúdio, qual foi a primeira banda?

Esse aqui foi o primeiro estúdio. Foi o estúdio da James Band e se espalhou para 15 outros trabalhos. Então a gente tem todos os estúdios daqui ocupados exclusivamente por bandas e outros estúdios que são para aluguel para bandas que vem de outros lugares.

Como é que se dá a relação de vocês com os moradores? Porque lá no terceiro andar tem pessoas que moram aqui.

A gente tem orientado todos os estúdios para fazerem o isolamento acústico e não incomodarem tanto as pessoas que estão do lado de fora. Mas uma vez ou outra é claro que o movimento acaba dando alguma coisa. Mas normalmente é muito tranquilo, a convivência é pacífica.

Essa aqui é a sala 09, a sala do Dr. Lao, onde agora está rolando uma aula de percussão com o professor Edinho. A gente vai lá invadir.

O fato de eu estar aqui no Porão do Rock, tudo acontece aqui, então facilita porque o pessoal já ouve o meu som, vê os instrumentos que eu toco, o fato de dar aula. Tudo isso vem a calhar.

Como é a história dessa sala aqui? Essa sala começou com vocês, né?

Sim. A gente já tinha uma outra sala aqui no mesmo prédio. Mas tivemos que fazer uma mudança. Viemos para cá e fizemos essa reforma. Nessa época eram 2 ou 3 bandas que tinha aqui no Porão. Depois disso foi entrando mais banda, o negócio foi crescendo aí virou o que é hoje.

Como vocês vieram parar aqui no Porão?

Tinha um camarada nosso que já tinha uma sala aqui antigamente só para tocar bateria. Era ele e mais um outro colega.

O grande barato aqui do Porão é que é uma mistura geral de música né?

É, tem rock, tem disco, funk, soul music, rock pesado, rock leve, rock pop, rock de tudo quanto é jeito. Vem tudo quanto é tipo de gente ensaiar aqui.

Quando o pessoal não está ensaiando eles estão aqui do lado de fora trocando ideias. Sobre o que vocês conversam?

Música, mulher e futebol.

O momento da conversa é tão produtivo quanto o momento do ensaio?

É super importante. A gente aqui tem várias bandas. É aqui que a gente conversa, fecha show, conta dos shows dos outros, enfim. Aqui é um lugar de confraternização.

Mais do que importante, é fundamental. Porque, como todo mundo sabe, o mercado de Brasília ainda não é profissional. Nós estamos lutando para isso. O Porão do Rock está vindo justamente para tentar profissionalizar o mercado. E o que segura é justamente esse lado humano.

A gente junta justamente para trocar essa figurinha.

Para terminar nossa visita aqui no Porão do Rock, nada melhor que a pura música popular brasileira. São esses 5 músicos que estão aqui reunidos se preparando para um show que eles pretendem fazer em junho no Teatro dos Bancários.

O pessoal do rock não atrapalha vocês não?

Não atrapalha porque as salas são bem isoladas.

Depois de conhecer as bandas e os estúdios aqui do Porão do Rock a gente vai conversar com o Ulisses para saber qual foi o grande fruto desse trabalho. Porque o pessoal que está aqui não está de brincadeira. No que resultou esse encontro musical de vocês?

A primeira coisa foi um CD, que nós utilizamos para mostrar no eixo Rio-SP. Agora chega nesse kit, que é o CD com um fanzine contando a história do festival. Isso aqui é história. A gente está quebrando também um grande monopólio que é o das grandes gravadoras. E a gente vai, através das bancas, transmitir para vocês uma cultura feita aqui a baixo custo e com uma intimidade danada. Esse é um festival que tende a buscar uma visibilidade para o mercado fonográfico de Brasília através de um desenvolvimento social da cidade como um todo. O Globo chamou a gente de um dos maiores festivais do país na segunda edição. Parabéns Brasília que foi lá, que curtiu o evento.”

Março de 2000