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PROEM – Escola pública integral de ressocialização de jovens vulneráveis

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Memórias do Brasil

Descrição:

Eduardo Chauvet: Nós estamos na Escola do Parque da Cidade, umas das mais antigas, mais tradicionais do Distrito Federal, completando 30 anos em agosto de 2011. Maria dos Anjos está aqui há 24 anos feliz da vida com um trabalho que é uma realização pessoal, profissional. Aqui a gente promove o bem, o resgate de alunos, de cidadãos pra que eles possam ter uma vida melhor?

Maria dos Anjos: Claro, é a função da escola: resgatar as crianças e adolescentes que se encontravam ou se encontram em situação de vulnerabilidade social e pessoal. Não quer dizer que eles sejam crianças que praticam crimes, nada disso. Se eles não estivessem aqui, estariam correndo esse risco. Em casa, onde a mãe sai pra trabalhar, eles ficam sozinhos e terminam não estudando, deixando de ir pra aula e aí são repetentes.

Eduardo Chauvet: O que você acha da diferença da vida lá fora nas ruas pra vida aqui dentro da escola?

Aluno: É muito diferente porque aqui a gente tem apoio total, tem um apoio completo e lá fora a gente não tem.

Maria dos Anjos: A nossa educação aqui não é a tradicional. Aqui o ensino é individualizado, são apenas quinze alunos por turma, no máximo. Aqui não há reprovação, os alunos passam o dia inteiro na escola. É a primeira escola de tempo integral de Brasília, o PROEM. Sempre funcionou de manhã até à noite. Eles tomam café, almoçam e jantam. E aqui adquirem conhecimento da vida, o conhecimento acadêmico, e saem daqui muitas vezes com uma perspectiva muito boa de vida.

Aluna: Ah, eu era muito estressada, era bastante complicada. Eu era bem difícil de lidar, comigo mesma.

Senhora: Essa escola passa a ser uma referência para a vida desses meninos. É um hiato na vida deles. Resgatam a autoestima, e aqui eles passam a ter um nome, a ser gente.

Eduardo Chauvet: De certa maneira, a escola serve como um ensino técnico porque eles saem daqui com algumas capacidades prontas para poderem ser aproveitadas no mercado de trabalho.

Maria dos Anjos: O ideal é isso, que eles saiam daqui com perspectiva de vida sim, não só pra ingressar no Ensino Médio com uma perspectiva de emprego. Nós temos um laboratório de informática, nós temos curso de iniciação profissional onde formam esses meninos em floricultores e eles são aproveitados nas floriculturas de Brasília. E dos alunos aqui formados, doze deles já estão trabalhando nas floriculturas com salário mínimo, com passe estudantil, com todos os direitos trabalhistas.

Aluno: O que espero daqui pra frente é formar como professor e crescer na vida aí fora.

Maria dos Anjos: Muito bom pra nós ver eles satisfeitos e felizes.

Eduardo Chauvet: E a sua satisfação como educadora? O que mais te emociona?

Maria dos Anjos: É o retorno. Retorno benéfico, retorno bom.

Março de 2011.