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Projeto “Jovem de Expressão” integra as artes e reduz exposição à violência

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Memórias do Brasil

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Eduardo Chauvet: Nós estamos na Ceilândia para falar sobre o projeto “Jovem de Expressão” que visa trazer essa moçada da rua pra um centro. Pra um centro de atividades culturais, artísticas, de integração ou de reintegração, depende da situação. Um projeto que já tem há algum tempo. O Marcelo tá aqui com a gente. Ele é o coordenador dessa moçada, o coordenador do projeto que já vem aí de um tempo num desenvolvimento bastante positivo. Hoje já é um exemplo não só pro Distrito Federal, pro Brasil, pra outros países.

A metodologia do Jovem de Expressão ganhou apoio da Organização Panamericana de Saúde, que validou a iniciativa e passou a ser observada em sua oficina de prevenção à violência sediada em Washington.

Marcelo: O programa Jovem de Expressão surgiu no ano de 2007 a partir de uma pesquisa dos fatores determinantes da violência interpessoal entre os jovens.

O principal desafio é reduzir a exposição dos jovens a situações de violência. Para isso investe em tecnologias sociais capazes de reduzir de maneira comprovada a exposição dos jovens a situações de violência.

Marcelo: A gente pôde ver que o público de maior faixa de mortalidade estava entre 18 e 24 anos. A partir desse momento, dessa pesquisa, foram criadas duas metodologias. Uma que é “atração jovem”, onde nós trabalhamos com as oficinas do programa, que é o break, o grafite, a capoeira, web design, produção de eventos. E a outra utilizada, é a terapia comunitária, que é o “fala jovem”.

E aí esses jovens vão contar experiências do dia a dia deles.

Eles conseguem sentar e aí é onde esses jovens vão fazer as reflexões de vida onde eles falam, desabafam e aí colocam as expectativas que eles tem quanto ao futuro.

O Jovem Expressão é como uma segunda casa. Eles dão muita força pra gente que quer praticar o hip hop. Eles dão cursos de inglês, informática, grafite.

É feito uma vez por semana, que é aberto pra comunidade, todos os jovens podem participar. Terapia significa só cuidados. Quando o jovem está desenhando ele está fazendo terapia. Quando ele está dançando, ele está fazendo terapia. E quando ele tá falando ele também está fazendo terapia. Então por isso que nós mudamos a palavra terapia por ‘Fala Jovem’. Pra ele perceber que a fala também é uma forma de auto cura. Não é comum os jovens falarem. Não é estimulado no dia a dia dele pra que ele conte o que tá acontecendo.
Quando não tinha o projeto aqui eu ficava em casa, não tinha muita coisa pra fazer. Aí quando abriu o espaço aqui eu conheci bastante pessoas novas, bastantes amizades.

Quando eles percebem que a história deles é muito parecida com a do outro, eles vão começando a criar um respeito.

A cada dia que passa a gente consegue ver a evolução desses jovens. E aí as perspectivas desses jovens começam a mudar. A gente começa a ter jovens falando sobre mercado de trabalho, sobre faculdade. É essa a intenção do programa. Fazer o empreendedorismo jovem.

Eu pratico break aqui no Jovem Expressão. É meu divertimento de cada dia. Quando eu venho pra cá me sinto bem, me sinto mais calmo.

Eduardo: Como é que funciona programação?

Nós funcionamos de segunda a sexta-feira de 9h a 21h.

Eduardo: Você está aqui há quanto tempo?

Eu tô aqui há 1 ano.

Eduardo: Sua vida melhorou depois que você veio pra cá?

Muito.

Eduardo: Em casa, na família?

Muito. Antigamente eu andava muito estressado. Agora com o break a mente fica mais calma, você se diverte, descontrai a mente.

Eduardo: que tipo de história de vida você costuma ouvir aqui?

A maioria é de violência doméstica. Eles me falam muito da dificuldade de entrar no mercado de trabalho. E o Estado também não ajuda. Eles não acreditam que pode mudar. Eles acreditam que faz parte do destino deles. E uma das coisas do ‘Fala Jovem’ é isso, é instigar a comunidade. Mostrar que nós juntos somos fortes.

Marcelo: Na verdade a gente consegue incentivar a participação da família, que pra gente é muito importante. A família junto ao jovem para poder facilitar o processo de comunicação

E a galera do “Jovem Expressão” de Ceilândia e Sobradinho II se uniram na produção de um videoclipe que teve a participação de grupos e MCs. Com vocês: Um Só Gueto.

Novembro de 2010