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‘Ressignificando o verde’ com a contribuição de cada um de nós

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Memórias do Brasil

Descrição:

Entrevista com Márcio Bontempo, médico e autor de 70 livros sobre saúde e alimentação natural

A ideia do cidadão que tem um comportamento consciente em relação ao meio ambiente. Quando se fala em verde, pensamento verde, ser verde, isso fica quase que no discurso. Lutar pelo meio ambiente, contra o desmatamento, empunhar cartazes, não cortem as árvores, plantar árvores no fundo da sua casa… Não é isso que o planeta precisa. A gente tem que entender o seguinte. Cada um de nós somos células de um corpo vivo chamado Gaia, que é o planeta vivo. O planeta interage conosco. Então se a gente entender que a gente é célula desse planeta, temos que nos comportar como células saudáveis. Nós somos poluentes, somos vírus, bactérias agressivas. Precisamos criar uma boa flora. Não basta só ficar no discurso, não basta só denunciar coisas, usar a internet e ativismos etc. É preciso realmente você ser o exemplo. Isso se faz por uma mudança alimentar evitando a carne, principalmente carne vermelha porque é destruir florestas quando se come carne. Economizar água, usar o mínimo necessário… fazer a barba e a água correndo, né… Ajuda o planeta né, a água é importante, então fecha aquilo. Outra coisa, destinar o seu lixo, saber fazer a reciclagem, consumir o mínimo necessário. A felicidade é consumir, é ter etc. Na verdade nós estamos reformulando esse comportamento em outra direção. Uma vida simples com consciência elevada. É quando você se percebe partícipe, você faz parte do planeta também. O seu comportamento vai influenciar o planeta.

Quando o indivíduo passa… depois dessa auto educação ele começa a perceber… isso é uma coisa evolutiva, você vai vendo como é que você pode ser melhor. Daqui a pouco você se vê ativo em uma outra direção, não empunhando cartazes pra fora, talvez pra dentro. E aí você vai ensinar as pessoas pelo exemplo do que você faz. Não ecochato, mas uma célula vibrante, consciente do planeta. Você para de emitir toxinas, toxinas psíquicas, emocionais, toxinas através do seu comportamento. Poluir, sujar, consumir desnecessariamente. O grande problema hoje, que está dentro dessa coisa de ressignificando o sentimento verde, o mundo está à beira do colapso ambiental justamente porque nós estamos consumindo o que é supérfluo. Isso é inaceitável. A gente tem 50 pares de sapato, tem 5 bicicletas, tem perfume que custa 600, 700 reais. Há uma indústria do supérfluo, do desnecessário. E joga plástico, lixo, vidro, não recicla. O lixo da civilização. Eu costumo dizer que o lixo ambiental, a poluição ambiental, é também uma poluição da consciência.

Eu chamo isso de consciência cívica planetária, quando você sai da geolatria, da visão só da sua pátria e você pensa na pátria planetária. Como o mínimo que você pode fazer representa muito. Aí você começa a ter consciência de que quanto mais você divulgar essas ideias você consegue mais resultados. Ressignificando o verdadeiro sentimento verde. O verde não é só o discurso, é isso, é você ser essa célula brilhante, vital. Tem muita fachada por aí. As pessoas, ainda mais em época de eleições, usam muito isso: “eu sou ambientalista, eu defendo a natureza”. Se você não muda o seu comportamento, se você continua poluindo, a sua consciência continua sendo poluída, você não vai mudar nada.

Março de 2010