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Senta a Pua, um filme de Erik de Castro

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Memórias do Brasil

Descrição:

“As pessoas sabem que o Brasil esteve na guerra, mas poucas sabem o que realmente aconteceu.

Durante mais de 50 anos, uma história ficou restrita aos militares e aos aficcionados em aviação. Gerações de brasileiros cresceram ouvindo dizer que o Brasil entrou na guerra, mas poucos souberam dos fatos que marcaram essa participação.

Eu comecei a me interessar pelo assunto aos 15 anos de idade quando eu li o livro do Brigadeiro Rui, o Senta a Pua. Ele é um veterano da guerra. Desde aquela época eu coloquei na cabeça que se ninguém mexesse com o assunto até eu me formar em cinema eu iria fazer algum trabalho a respeito.

Eles foram treinados para fazer a guerra total lá na Itália. Foram treinados por pilotos americanos e ingleses. Passaram 8 meses treinando e depois chegaram na guerra em 1944 e pegaram 6 meses de guerra, inclusive participaram da famosa ofensiva da primavera.

Senta a Pua era o grito de guerra do grupo na Itália, que surgiu já no treinamento, que era uma expressão popular na época. Eles, já no treinamento, tinham que ter um grito de guerra.

E você teve que procurar o Rui Moreira Lima, que foi quem lançou esse livro que despertou todo o interesse para que você fizesse esse documentário. Aí você foi atrás desses pilotos?

Isso, eu fui atrás dos pilotos. Inclusive teve um deles que não queria dar depoimento, que é o Brigadeiro Joel Miranda, que inclusive 50 e tantos anos depois da guerra ele nunca tinha falado com ninguém. E ele só deu o depoimento para mim por intervenção dos próprios companheiros. A história do Joel Miranda é dramática e muito forte para ele ficar contando. Ele teve que reviver muitas emoções. Foi um depoimento complicado. Me tratou muito bem, mas quando acabou ele falou “eu espero que não dê nada errado tecnicamente” “Por quê? ” “Porque eu falei uma vez e não falo nunca mais”.

No geral eles estavam doidos para dividir isso com alguém. E, em 50 anos, não tinham tido a oportunidade de dividir isso. Teve um deles que chegou no final e falou “poxa, teve que demorar 50 anos para aparecer alguém para querer contar a nossa história?” Isso mexeu muito comigo porque eles estavam querendo dividir essa história há muito tempo e sabem que agora vão dividir com o Brasil e com o mundo. Eles se reúnem até hoje, todo mês eles se reúnem. Desde que eles voltaram da guerra eles se reúnem. Então as histórias estão vivas.”

Novembro de 1999