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Teatro Oficina Perdiz, uma oficina mecânica de dia

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Essa coisa do paradoxo da oficina onde se trabalha uma coisa bruta, se forja ferro, se faz solda. E ao mesmo tempo você consegue colocar Shakespeare aqui dentro. Aquela coisa do Perdiz mesmo. O mais sensível dos homens brutos. Ou seja, aquela coisa da mão calejada, mas a mente arejada.

A oficina do Perdiz é igual a tantas outras oficinas de oficineiro pobre. Eu tinha um sobrinho que fazia o Dulcina em 1975. Começou a ensaiar aqui com a turminha dele. E depois quando ele fez aniversário ele pediu para fazer a festa de aniversário. Nessa festa de aniversário, o Chico Expedito estava tomando umas pinguinhas aqui, me chamou, e perguntou se eu podia ceder o espaço para fazer uma peça de teatro. E eu falei “mas como, no meio do maquinário, no meio de tanta máquina? ”. Ele falou “a gente dá um jeito, puxa para um lado, puxa para o outro”. Eu falei “vocês, para mim, não batem bem da cabeça não, mas se você acha que tem condições, tudo bem”. E acabou que ele abriu o espaço aqui em fevereiro de 1989. Fizemos a arquibancada, aí começou e não parou mais.

Estamos tentando, porque aqui é uma área pública, ver se o governo libera, definitivo, para fazer realmente uma casa de espetáculo com a dignidade que temos nós os brasileiros e nossa capital. Então faço voto que a reportagem tenha um bom efeito e que aumente o público aqui para eles né, que precisam do público. Porque eu preciso de cliente que me traz serviço mecânico.”

Agosto de 2003