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Terapia de vidas passadas e o processo de memória profunda

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Memórias do Brasil

Descrição:

Entrevista com Marco André Schwarzstein

“Terapia de vidas passadas é um trabalho no qual nós tentamos fazer com que a pessoa viva algum problema que ela tem na vida atual entrando num outro personagem. Então nós induzimos ela a ir para aquilo que nós podemos chamar de uma outra vida, ou uma vida passada, como é conhecido. Em geral, no Brasil as pessoas tem muita familiaridade com essa noção da vida passada porque o kardecismo, o espiritismo é muito forte aqui.

Por exemplo, a pessoa vem com uma queixa. Ela tem medo de pequenos animais, por exemplo, pequenos cachorros. É um medo irracional. Por que razão alguém se assustaria com um pequinês? Tudo bem, ele faz muito barulho, mas ele não representa nenhum problema real. Mas a pessoa tem esse medo irracional. Aí eu pergunto pra ela como é que ela se sente quando se encontra com um pequinês. E ela dá uma dica do tipo “eu sinto que ele vai me estraçalhar”. Não tem relação, não é verdade? O pequinês pode até dar uma mordidinha no tornozelo e ser uma chatice, mas com certeza ele não vai estraçalhar a cliente. E aí eu faço ela repetir essa frase e ela muitas vezes com certa facilidade entra numa experiência, por exemplo, numa vida passada onde ela foi estraçalhada por alguma fera onde ela foi jogada aos leões no Coliseu.

Eu trabalho com um psicólogo inglês, um doutor em religiões comparadas, que introduziu o processo de memória profunda, o “deep memory process” no Brasil. Ele também trabalha nos Estados Unidos, na Europa, na Grécia, em muitos países. Os métodos mais tradicionais frequentemente trabalham com hipnose, uma hipnose leve, ou algo que nós chamamos de dissociação. A pessoa vê numa tela de alguma forma, ou projeta numa tela, a vida que ela está trabalhando. Nós trabalhamos no corpo. Nós trabalhamos de maneira mais teatral como numa forma de psicodrama. E isso torna a experiência emocional e a experiência corporal muito mais intensa e profunda. Por isso nós chamamos de processo de memória profunda. Há muita compreensão para essa visão reencarnacionista mas ela não é necessária. De fato nós não precisamos que o cliente acredite em vidas passadas. Mas é relativamente fácil induzir histórias. Ele pode achar que está inventando, ele pode achar que é uma fantasia. Muitas vezes o cliente pergunta: “mas será que eu inventei isso, será que eu imaginei, será que eu me inspirei naquele filme Ben Hur, será que é uma memória autêntica?” Isso não tem importância quanto a eficácia do trabalho. Porque de fato a eficácia do trabalho está na experiência emocional. Um bom ator chora no palco, treme de medo. Ele entra de tal maneira no personagem que a experiência é completa. Da mesma maneira quando o cliente entra no personagem, se isso for imaginação ou se essa vida passada ocorreu mesmo, coisa que em geral é muito difícil de se demonstrar, o efeito terapêutico é o mesmo.

A minha formação é científica. Eu sou biólogo molecular, bioquímico e psicanalista. Então eu tenho critérios científicos. Existem poucos trabalhos reconhecidamente de natureza científica. O mais importante é de um famoso pesquisador americano chamado Ian Stevenson. Ele pesquisou centenas e centenas de casos, em geral na Índia, de crianças que se lembravam de vidas passadas recentes. E depois, pesquisando nos locais que as crianças descreveram, muitas dessas memórias se comprovaram ser absolutamente corretas. Talvez essa seja a prova mais científica, se você deseja isso, que existe à respeito da reencarnação. Mas a ciência ocidental continua negligenciando esse trabalho do Dr. Stevenson.

Março de 2010