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Tom Capone Especial parte 1. Um dos maiores produtores da música brasileira

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Memórias do Brasil

Descrição:

“A música brasileira perdeu um dos maiores produtores de sua história. Tom Capone. Ele morreu na madrugada de quinta-feira, dia 2 de setembro, na cidade de Los Angeles, em um acidente de moto. Tom saia da cerimônia de entrega do Grammy Latino. Concorrendo a 5 estatuetas, ele foi o brasileiro com o maior número de indicações em uma só edição na história do prêmio e estava muito feliz pelos prêmios recebidos por Skank e Maria Rita, Capone. Inclusive, chegou a subir ao palco com a cantora, vencedora de 3 grammys. Nos últimos 10 anos participou de mais de 100 discos de variados artistas e estilos. Trabalhou com Legião Urbana, Raimundos, Natiruts, Lenine, Gilberto Gil, Nando Reis, Herbert Viana, Marisa Monte, Carlinhos Brown, Milton Nascimento, entre muitos outros.

Ulysses Xavier, músico e produtor: Tom Capone foi um moleque que veio para Brasília, estava a fim de fazer música e levou isso nas últimas consequências. Ele foi montando bandas, arrumando uma forma de continuar na música e, de repente, ele virou um produtor e um guitarrista de primeiríssima linha. A medida em que ele fazia o trabalho, que era produzir um disco, ele ia se relacionando com você. Então, ao final do trabalho, você saia com um super produto, porque ele te conhecia de uma forma muito direta, e ao mesmo tempo com um amigo que você podia contar para o resto da vida. A gente chegou a ter uma banda juntos. Ele produziu Plástika, Legião Urbana, Gilberto Gil, Maria Rita. Em 10 anos ele fez mais de 100 discos. Você imagina um cara com 37 anos o quanto ele precisa trabalhar para fazer 100 discos. O que a gente sentia é que ele tinha muita intensidade para viver. “É para fazer? Então vamos lá! ”.

Sílvio J, guitarrista: Ele foi um Pravda (banda da época em Brasília) durante a vida. Ele, como membro da banda do ponto de vista afetivo, do ponto de vista musical também. Ele nunca regulou o talento dele. O talento dele estava sempre presente no máximo em todos os trabalhos em que ele se envolveu. Um cara aberto, um cara sem preconceitos artísticos, musicais.

Ulysses: Ele era divertido para caramba e era muito generoso.

Sílvio: Generoso com aquilo que ele sabia. Nunca relutou em passar adiante todo o conhecimento que ele foi
adquirindo, que ele foi acumulando.

Ulysses: E as coisas iam pela intuição que ele tinha do que é correto. O Tom acordava todos os dias para fazer uma coisa que ele gostava.

Sílvio: Era sempre um cara extremamente alegre, eu não lembro de ter visto o cara triste. Era um cara dedicado ao trabalho, à criação e aos amigos.

Ulysses: O produtor musical é uma espécie de maestro. Porque ele tem que se preocupar com orçamento só que ele tem que trazer para perto dele todos os segmentos da cadeia de trabalho de um disco. Você precisa de um bom mixer, de um bom produtor, de várias pessoas trabalhando em conjunto. Ele arregimenta essas pessoas. E ele próprio retira da banda o que há de melhor para estar exposto. Então ele é responsável por realizar o sonho de trabalho da banda. Ele é que vai dizer como é que grava, com que microfone, em que sala, com que amplificador, de que forma. E depois ele vai orientar o mixer para fazer esse som que ele captou se transformar em uma coisa de unidade.

Entrevista com Tom Capone cedida em julho no festival Porão do Rock 2000

Tina Vieira, jornalista: O que mais a gente vê aqui no Porão do Rock é o pessoal das bandas distribuindo CDs e fitas com o trabalho deles na tentativa de conseguir despertar o interesse de alguma gravadora. O Tom Capone é diretor artístico da Warner e embora diga que não está aqui como olheiro, no fundo você está prestando atenção no pessoal, né?

Tom Capone: Com certeza. Eu vim aqui para ver o festival. É o segundo ano que eu venho. Estou não só vendo as bandas novas como acompanhando a evolução do festival. Para quem veio nas últimas duas vezes, é inacreditável a evolução. Daqui a pouco vai se transformar no “Abril pro Rock”. Talvez esteja com até mais importância, só que não saiu ainda de Brasília.

Tina Vieira: O que vale mais? O show dos caras no palco ou é esse material que eles entregam para vocês?

Tom Capone: Na verdade, o material dá sequência à vida das bandas. Eles fazem o CD e tentam uma gravadora mas ao mesmo tempo eles estão divulgando o trabalho. Faz um showzinho, vende CD. O foda é ver os caras no palco. Se os caras arrebentam, fazem a galera levantar, essa é a diferença.

Tina Vieira: Qual é a chance de uma banda sair daqui com um contrato com uma gravadora?

Tom Capone: Existe a chance. O Jamaika que vai tocar agora, eu vi ele em outro show e pirei com o cara e contratei para a Warner. Existe a chance.”

Setembro de 2004