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Tom Zé, do tropicalismo ao ostracismo até a redenção

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Eu não faço música contemplativa porque não sei, por causa de uma deficiência, eu sou um péssimo músico, um péssimo cantor, um péssimo instrumentista. Quanto a transgressores, tá se vendo que pra se vir fazer um disco chamado transgressor, eu não preciso mudar a maquiagem, eu não preciso mudar de roupa, eu não preciso fazer nada porque eu já sou transgressor. Até demais. Ao contrário, eu preciso ficar educado pra poder cantar nesse lugar bonitinho assim.

Algumas coisas naturalmente que vão sucedendo ficam veladas ficam meio escondidas, elas mostram a face e depois se escondem.

Eu descobri que nós do terceiro mundo somos andróides isso é claro tá. Isso tá. Mas nós na verdade com o rosto descoberto, somos andróides que trabalhamos para o conforto do primeiro mundo.

Eu também sujo o smoking do gosto médio vigente e o que eu faço constantemente, mancho a tailleur das musas oficiais e fabrico uma grande quantidade dessa proteína chamada rebeldia, que dos 13 aos 20 anos, é absolutamente necessária. Sem um pouco de rebeldia, a pessoa não firma o passo pra ficar adulto.

Aconteceu uma coisa gozada na minha vida. Eu fiz sucesso de 1968 até 73. 73 fui enterrado vivo na hora da divisão do espólio do tropicalismo e fiquei lá no ostracismo terrível que aparentemente não tinha saída. Quando eu já tava indo tomar conta de um posto de gasolina com o meu sobrinho em Irará… David Byrne encontrou um disco meu numa loja. Esse disco fez sucesso nos Estados Unidos e o Brasil resolveu me ouvir de novo.

Umas coisas me movem e fazem com que meu público fiquem cada dia mais jovem, eu vou envelhecendo e o público vai rejuvenescendo.

Eu to numa fase como é que se diz… alta e gloriosamente produtivo e doido para fazer coisas e tal.”

Março de 2003