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Tom Zé lança álbum Estudando o Pagode Segrega a Mulher

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Memórias do Brasil

Descrição:

“O nome ‘Estudando o Pagode’ é porque eu escolhi uma música que está bem detratada agora, da mesma forma que eu escolhi o samba em 1976 para fazer o “Estudando o Samba”, agora estou fazendo “Estudando o Pagode”. E “Segrega a Mulher” é na verdade o assunto do disco todo, a estrutura dramática que carrega, que se percorre através das músicas.

Começa com uma mulher sendo bastante agredida pelo homem, como é o comum né. E depois ela começa a se defender inicialmente de uma forma sutil, fina, cósmica, e depois bota o dedo na cara do bandido e depois diz “ou você me respeita ou o mundo vai virar de cabeça para baixo”. O show é mais ou menos esses acontecimentos transformados em música.

O departamento de sexologia da USP disse que as moças de 15 a 25 anos (em 13 estados, 7 mil pessoas foram questionadas) não são convenientemente excitadas na hora do coito, na hora da relação sexual, sentem dores por causa disso, o cara acaba de gozar, levanta, vai embora, larga ela lá a ver navios. Ela não pode pedir para ele continuar porque fica parecendo que ela é prostituta, que é muito experiente. Então é um inferno para os dois. Quero saber qual é o tipo de homem que vai lá, trepa com a moça, goza e larga a moça sem gozar. Que cavalo é esse?

A principal coisa que eu produzo, escondido por debaixo de tudo, é uma proteína chamada rebeldia que, dos 12 aos 30 anos, se não houver rebeldia, uma geração não pode se afirmar. Não é rebeldia para estar fazendo malcriação. É a intuição de se rebelar contra o que está em volta, de contestar, de saber o que é, de perguntar. Esse espírito de justiça que está sempre presente no jovem. Pelo menos até acabar a universidade, até entrar no governo.

Para não fazer músicas difíceis chamei duas crianças de 15 anos para serem meus censores e não deixar eu fazer música difícil. Então eles chegavam e diziam “esse ritmo está muito lento”. Tudo eles censuravam antes da música ser composta.

Depois, no estúdio, eu tive muita dificuldade de lidar com a simplicidade. E Jair Oliveira foi quem deu dignidade, quem deu beleza. Tudo que você achar de bonito no disco, porque tem coisa bonita como o diabo, você pode dizer “é o dedo do Jair que está ali, porque Tom Zé não é capaz disso”.

Junho de 2005