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Tom Zé, suas criações, o horror ao tédio e à música e muito mais

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Eu tenho 64 anos. E comigo aconteceu isso de eu ter agora aos 64 anos um grande interesse de compor. Eu apesar de estar numa fase muito interessante, não quer dizer que eu seja gênio que eu chegue em casa um dia, e de vez em quando faça 10 canções, não. Eu trabalho todo o dia de manhã, à noite com grande alegria, com grande felicidade e com grande prazer.

O tempo todo eu me preocupo se é possível manter o interesse do ouvinte. Se é possível que eu manifeste na música a ojeriza que eu tenho ao tédio, o horror que eu tenho ao tédio.

Nas horas vagas eu tenho horror à música. Não quero saber de música.

Mas, faz o que? Vai ver um filme vai ler um livro?

Posso ver um filme, mas como hoje só tem filme de terrorismo né, só tem filme dos Estados Unidos exportando terrorismo pra depois se queixar quando o terrorismo desemboca lá, então eu já não vejo filme. Eu ouço futebol. Futebol é minha grande distração.

Quando derruba a casa da gente dói, mas que eles passaram a vida derrubando a casa dos outros e que agora porque derrubaram a casa deles, else não podem derrubar o mundo.

O meu público é um público de 13 anos em diante.
Hoje tem uma classe universitária uma classe média que é quem consome o tipo de trabalho que eu faço.

O que eu ouço mais é música erudita não é porque eu seja metido a bobo e porque eu passei 6 anos numa escola de música erudita e fica muito longe da música que eu faço. Eu não posso concorrer com Beethoven, me aborrecer com Beethoven, que Beethoven faz música bonita. Eu não posso ficar com ciúmes de Stravinsky ,não posso ficar com raiva de Verdi, porque Verdi faz áreas lindas, mas se eu ligar o rádio eu vou ficar com raiva do primeiro que eu ouvir.”

Setembro de 2001