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Tônia Carreiro fala da vida, de teatro, cinema e amor

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Como surgiu a ideia do espetáculo e como você escolhe as memórias?

O Paulo Autran que deu a ideia. Nós fomos fazer um espetáculo e eu falava muito sobre meus amigos. Ele disse: “você já reparou como você prende a atenção da plateia quando fala de você mesma? Por que você não faz um espetáculo assim?” Depois, Luís Arthur Nunes, o diretor, sugeriu “eu vou a sua casa e vou gravar. Você vai falando, como quem conta suas memórias.” Aí ele fez para mim um roteiro que eu adorei e comecei a fazer. Faço há 4 anos.

Eu gostaria, por exemplo, de encontrar sempre com Caetano Veloso, Chico Buarque, com gente que faz poesia popular como Vinícius fez, como me encontro com Afonso Romano de Santana, Glauco Rodrigues. Tem certas pessoas que vão a minha casa, que são da minha intimidade, que é mais ou menos como era. Só que não se encontra sempre. Antigamente era todo domingo, todo sábado. Isso faz falta.

Só fica quem tem valor. Talento e vocação é uma coisa. Talento é uma maravilha. A vocação é assim: mesmo que não vá muito bem, eu quero. E insiste e fica. E fica 50 anos.

Você cita muitos intelectuais. Você acha que o seu trabalho é um presente para a juventude, para que eles tenham conhecimento dessas pessoas?
Eu acho que é uma certa denúncia para o governo. Tratem melhor essa gente. Essa gente é que merece ser rica e não quem está por aí dilapidando o poder público.

Como você vê o painel do cinema hoje em dia?
Está melhorzinho, né? Cinema sempre poderia ter pelo talento de quem escreve, pelo talento de quem interpreta. Brasileiro tem jeito para música, futebol e para interpretar. O segredo da indústria cinematográfica americana é o dinheiro. Eles acreditaram na cultura. Aqui ninguém acreditou que cinema fosse cultura.

O teatro hoje existe de resistência. Precisa de patrocínio.

O que leva o ator brasileiro a continuar fazendo?
Amor.”

Março de 2000