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Um pouco da transformação social e artística da nova era digital

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Memórias do Brasil

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Eduardo Chauvet: As pessoas cada vez mais procuram nos meios digitais o conteúdo de música, cinema, educação. São várias as buscas na internet pra que a gente tenha acesso àquilo que a gente gosta. O nome disso é disponibilidade, universalização de conteúdo. Chame do que quiser. Hoje, mais do que nunca, todas as classes sociais podem compartilhar do mesmo conteúdo.

Bruno Rufino: Hoje é bastante comum a gente ver coisas como isso, só que acho que a gente reflete pouco sobre a proporção que isso tomou. Em Brasília, especialmente, que é a capital que tem a maior penetração de uso de internet no Brasil. É muito fácil você baixar um conteúdo da internet. Isso só depende que você tenha um computador disponível com banda larga. Isso faz com que exista hoje uma procura maior por informação que não se via antes.

Nunca se consumiu tanta música e tanto filme na história do audiovisual, por exemplo. Hoje você percebe se tornar cada vez mais difícil você criar um único artista que é adorado por milhões de pessoas, por exemplo. A gente ainda tem artistas desses, mas se a gente for parar pra pensar bem, são artistas que vem do século passado. A gente tinha Michael Jackson, a gente tinha Madonna. O que você vê são grupos menores de pessoas com gostos cada vez mais específicos, com ídolos deles próprios. Ídolos que não aparecem pro mainstream, por exemplo.

A gente vê uma banda daqui de Brasília que a gente percebo isso de forma muito notória que é o Móveis Coloniais, que ficou famoso antes de ir ter gravadora. Antes de ir pra MTV já tinha uma legião de pessoas que seguiam eles aqui em Brasília porque eles usaram esses mesmos artifícios pra surgir. Cada vez mais o gosto de uma comunidade de pessoas depende menos da indústria. E ao mesmo tempo que isso perde as barreiras sociais também. Então hoje a gente percebe que o mesmo filme que a classe que tem dinheiro está assistindo e gosta, a música que eles consomem, a classe mais baixa está consumindo a mesma informação. E fez com que o sucesso que você lança em uma semana, na semana seguinte já está obsoleto. Por que é assim? Porque a capacidade de produção hoje é muito mais fácil, é muito mais simples. Qualquer computador que você compra hoje vem com um baita sistema de edição de imagem e de áudio.

Qualquer garoto com uma máquina fotográfica que faça vídeo pode fazer um longa-metragem, um curta-metragem, pode fazer um clipe, pode gravar uma música e pode colocar aquilo ali pra exposição. Eu diria que é uma das próximas grandes brigas pra próxima década. Como resolver a questão de distribuir música pra todo mundo fazendo com que o artista ganhe e quem participou do processo de produção ganhe sem necessariamente onerar indevidamente o cara que simplesmente quer escutar a música, que quer ver o filme.

As últimas iniciativas que a indústria tomou foram punir quem está buscando a informação. Um dado importante que vale a pena a gente prestar atenção: o mercado consumidor de cultura e de informação digital aumentou como a gente nunca viu. Celular está disponível, câmera digital está disponível. Eram tendências que a gente reparava ao longo dos últimos anos da década e que a gente vê acontecendo. A gente está hoje vivendo o futuro mesmo.

Agosto de 2010