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Vanessa da Mata, de Chico Buarque a Gonzaguinha

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Influências da avó: Cantava o tempo inteiro. Estava triste, ela cantava, estava alegre, ela cantava. Dançava, ficava cantando e dançando, era super feliz. E cantava na igreja o tempo inteiro. Tinha missa, ela estava cantando. Eu acho que a coisa de cantar era muito comum, muito do cotidiano dela. Acho que tem muito dela sim, me influenciou bastante. Eu acho que, essas coisas que te influenciam em casa, desde criança, são as coisas mais fortes

A mudança para a cidade grande:

É uma coisa muito difícil. Você sair de uma cidade pequena que você conhece todo mundo, que todo mundo é meio parente, fora os parentes mesmo que você tem. Uberlândia já foi um choque. Depois São Paulo. Eu ia para o centro e ficava embasbacada com aquilo. As pessoas se esbarram e nem desculpa elas pedem. O rosto frio das pessoas. Não conhecer ninguém, os vizinhos, você não saber. Era muito estranho. Até eu me acostumar demorou um pouco. Até hoje eu ainda acho estranho, mas gosto. Porque também tem uma individualidade muito preservada.

Mas eu não faria tudo de novo porque realmente é um caminho muito difícil. Um frio lascado, uma coisa absurda de não ter amigos. Até conseguir achar a sua turma, porque tem guetos muito separados em São Paulo. Eu estava em pensionato, eu mostrava as minhas canções e as pessoas falavam “nossa, isso aqui é muito ruim, você não vai conseguir nada com essa música”. E aí até achar o pessoal de MPB que gostava desse tipo de música e começar a cantar em bares e começar a ganhar uma graninha é um caminho difícil.

A compositora:

No Brasil tem muitos compositores, mas eu queria uma coisa que falasse mais da minha vida. Poderia ter Milton, poderia ter Chico Buarque, poderia ter Gonzaguinha. Mas ninguém falava tão bem da minha vida como eu. A minha relação com a natureza, a minha relação com o outro, o que me incomodava, o que me despertava para o outro.

E a partir do momento que as pessoas ficam sabendo do teu trabalho e divulgam e vem falar com você, a resposta é muito mais gostosa. Sobre uma letra que você fez. Todo mundo cantando uma coisa que você fez e se deliciando com aquilo. Tendo prazer com aquilo. É muito bom. É um remedinho bom que você faz. Tipo uma alquimia gostosa de se fazer para os outros.”

Abril de 2005