Oops! It appears that you have disabled your Javascript. In order for you to see this page as it is meant to appear, we ask that you please re-enable your Javascript!

Yamandu Costa e a rica história da música brasileira

profile

Memórias do Brasil

Descrição:

“Eu tenho 22 anos, a relação brincando, brincando a gente já está há 15 anos na estrada. Eu comecei nessa vida com 6, 7 anos de idade então eu sou revelação há algum tempo. Quer dizer, eu tenho muito pouco tempo de idade pra falar que tenho alguma experiência, mas tenho. Virei aquele menino prodígio. Com 8 anos eu tocava brasileirinho… algumas coisas assim, que viravam show.

Eu venho de uma família de músicos. Meu pai, minha mãe eles tinham um conjunto folclórico lá em Passo Fundo depois a gente mudou para Porto Alegre e eu me criei no meio de história então. É uma coisa natural pra mim falar de música.

Todos os amigos que eu tive todos foram relacionados à música. Se não eram músicos tocavam alguma coisa.

Eu comecei tocando com o meu pai num conjunto que fazia música regional, música gaúcha tradicional e um pouco depois que eu fui começar a tocar música brasileira. Quer dizer, me interessar por outras coisas dentre delas Jobim, Baden Powell… enfim choro.

Conhecendo esse universo musical, você começa a inserir no meio das coisas, dentro de um choro ,dentro de um samba, essa fusão de ritmos que o sul tem essa possibilidade geográfica ali daquela parte toda fronteiriça. Então pra gente, é natural tocar um chamamé, uma milonga.

E depois veio esse prêmio Visa. Esse foi o mais importante porque além de ser nacional é o maior prêmio que tem na música brasileira hoje em dia.

É um violão regional brasileiro, às vezes vem alguém falar: “Yamamdu eu vou, eu to a fim de ir pra Berkley aquela faculdade de música”. “mas fazer o que na Berkley? Pegue um ônibus ou um avião e vá lá visitar Hermeto Pascoal acho que você vai ganhar mais, entendeu.” Vamos ficar aqui, vamos fazer a nossa música que eles são fortes que eles ficam lá e fazem a música deles. Então às vezes, eu vejo que vem um menino da minha idade, “pô cara, com aquela camisa do Led Zeppelin” eu: “pô bicho, eu nunca dei bola para a música brasileira depois que vi você na televisão tocando eu adorei e eu comecei a me interessar por música brasileira”. Pra mim já posso morrer porque eu deixo um toque pro mundo que tá vendo.

Sem preconceito nenhum. Rock in roll é bom pra caramba. Tudo é bom pra caramba, tudo o que é bom é bom. Mas agora, a nossa música é boa pra caramba. Então, é isso que eu fico mais feliz quando eu vejo um teatro lotado é que noventa por cento das pessoas são jovens universitários que vão lá pra ver, pra dar risada do meu jeitão ou pra ver que eu sou gordo, sei lá, alguma coisa mas que tão lá estão escutando Baden, escutando Radamés Gnattali, Tom Jobim, pessoas que realmente tem uma importância fundamental dentro da cultura da música brasileira.”

Março de 2002