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Zé do Caixão, uma lenda brasileira e seus filmes de terror

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Memórias do Brasil

Descrição:

“1946, eu morando em um cinema, um garoto vendo aquele telão, apaixonado por histórias em quadrinhos. No lugar de uma bicicleta eu quis uma câmera e meu pai me deu na época uma câmera de 8,5mm. Eu faria o meu primeiro filme e, sem saber, instintivamente, viria por gênero de terror, que era ‘Juízo Final’ em que eu finalizava com todos os corpos se transformando em verme e nascendo uma outra geração. Eu tive que aprender a ser diretor, a ser ator, aprender a filmar e a fazer roteiros.

O terror, na realidade, eu acho que já viria também uns três anos antes quando uma pessoa morreu no meu bairro, que era muito querida e, de repente, no velório dele, a gente pedindo para ele levantar. Ele acabou levantando e todo mundo correu. Eu achei que fosse porque estávamos rezando. Mas é porque ele não tinha morrido, ele tinha tido catalepsia. Daí em diante a esposa já pediu o desquite, a mãe já dizia que era o diabo, e isso começou a me influenciar, o que vem depois da morte. As pessoas pedem para o morto voltar, ele volta e ninguém mais quer saber dele? Esse homem acabou morrendo na solidão porque ninguém quis ficar perto dele e enlouqueceu, ficou doido.

Daí eu comecei a estudar o gênero místico. Com isso eu vim fazendo uma série de filmes e, de repente, através de um pesadelo, eu senti algo que me levava para uma gruta, uma pessoa de preto que queria mostrar a minha lápide com a data do meu nascimento e da minha morte. Eu não quis ver. Acordei, minha esposa pensou que eu estava tomado, mandou meus cunhados chamarem o pai de santo. Eu achava que eu tinha uma premonição e dali nasceria a primeira história ‘À meia noite levarei sua alma’.

Exatamente no dia 15 de outubro, que seria o mês das bruxas, de 63, ninguém querendo fazer o personagem e eu já estava com a equipe contratada. O pessoal falava que fazer terror no Brasil era cair no ridículo. Aí para não perder o dinheiro e o pessoal, eu falei “então vou fazer”. Aí peguei uma roupa que o zelador, que era de umbanda, esqueceu, uma roupa de exu. Eu com meu terninho preto, que me restava, pus meu terno preto, mandei ir na casa do ator trazer uma cartola e nasceria o Zé do Caixão.

Você está em sua casa. Que a sua língua se converta em cobra e devore todo o seu cérebro e você continue com vida por toda a eternidade sentindo as dores do inferno. Isso vai acontecer se você não prestigiar a nossa cultura.”

Fevereiro de 2005