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Zeca Baleiro lança Pet Shop Mundo Cão e fala de seu processo de criação

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Compositor é um cronista. Tem que falar coisas que vê no dia a dia, e a estrada quando você está em turnê com show é um lugar muito favorável à criação. Você vê muita coisa, vê muita gente, visita lugares diferentes, culturas diferentes, sotaques diferentes, todas essas coisas, esses casos acabam sendo fonte de inspiração. Meu processo de criação é muito espontâneo. Eu não sento 9 horas da manhã no meu escritório e falo: hoje vou compor uma canção. E de repente me vem uma música pronta. É um processo muito caótico, na verdade, depois um processo posterior tomo pé da situação, boto no papel, arquivo no computador e aí vou ter um trabalho mais racional, mas o primeiro sopro é uma coisa muito misteriosa mesmo e o momento seguinte que e o momento que você vai pro estúdio produzir.

No primeiro dia, você tem a participação da Vanderleia, do Genival Lacerda, eu sempre gostei disso trazer pessoas de outro, de outros universos e colocar ali. Eu particularmente penso assim e trabalho assim, você tem que estar aberto a todo o tipo de interferências.

Pet Shop Mundo Cão eu acho que é um nome sonoro, um nome musical e traduz bem o espírito do disco, assim né.

Como a guitarra um dia entrou na música popular pra ficar pra sempre, também a eletrônica chegou pra permanecer assim, mas é a eletrônica à serviço da canção de um organismo que é a canção música e letra, assim lado a lado, muita melodia.

Às vezes, há uma celebração muito grande da coisa eletrônica como se para ser moderno pra transpirar modernidade precisasse ter e não é verdade. Tem gente que com um violão, consegue ser mais moderno que muita música eletrônica.

Tem um poeta baiano que chama Jorge Portugal. Ele fala que modernidade é comer três vezes por dia.

Modernidade é pensar numa evolução humana em todos os sentidos. Enquanto a gente estiver convivendo com miséria social que gera miséria cultural, miséria espiritual, miséria de toda a ordem, a gente não pode falar em modernidade. Não é um caixa eletrônico que é um símbolo de modernidade simplesmente. É todo um conjunto né, e eu acho que a gente está muito distante dessa modernidade real. A gente vive uma modernidade aparente e quando eu coloco Pet Shop Mundo Cão é que o contraste entre algo que é singelo, bonitinho, higiênico que seria o petshop e o mundo cão que é o mundo de fato o mundo tal qual a gente conhece um mundo violento, cruel, desigual.

Hoje, quatro discos depois, eu me sinto muito mais tranquilo, muito, mas seguro assim com tudo.”

Abril de 2003